Câmara de Comércio e Indústria Portugal - Vietname

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HISTÓRICO DOS DOIS PAÍSES

 

PORTUGAL E VIETNAME: 500 ANOS DE AMIZADE

Os Portugueses foram os primeiros europeus a chegar e estabelecer-se em Hoi An, no centro do atual Vietname, em 1516. A herança material é reduzida, ou pelo menos pouco reconhecida

 

As descobertas

O Sudeste Asiático

As relações entre Portugal e o Vietname, datam do século XVII. Naquele tempo ainda não existia um país chamado Vietname (Việt Nam), mas sim os reinos de Tonquim, Cochinchina e Champá, como os portugueses lhes chamaram.

A noção de Sudeste Asiático expressa-se hoje em termos políticos numa associação regional de estados-nações que, reconhecida como ASEAN, criada originalmente em 1967, se estende de Myanmar, às Filipinas, reunindo a estes países a Indonésia, Malásia, Tailândia, Singapura, Brunei, Vietname, Cambodja e Laos.

A nível económico, a região da ASEAN regista actualmente um 4,8% de crescimento do PIB, inflação de 2,1% com uma demografia de 634,5 milhões de habitantes.

 

Para mais informações aceda aqui ao perfil do mercado da região ASEAN elaborado pelo Hong Kong Trade Development Council em Dezembro de 2017.  

Os Primeiros Europeus
​Conforme Silva (2015), em 1433 o Reino de Annam era governado por duas cortes reais: a Corte do Norte – Đàng Ngoài (Tonkin ou Tongking) de Kéchô hoje Hanói e a Corte do Sul – Đàng Trong (Sikin ou Siking) na cidade de Taiking, tanto o povo do norte quer o do sul gostavam de se identificar como uma única nação o 'Dai Viêt’' expressão sino-vietnamita que significa 'povo ilustre' e, portanto, como tal se apresentavam na corte chinesa.

​Em 1520 e durante todo o século XVI, a dinastia Mạc estabelece-se em Hanói enquanto a sul se encontram os Trinh e os Nguyễn pertencentes a Thanh Hoà.

É neste contexto político-administrativo, segundo Silva (2015), que os europeus entram no 'Dai Viêt' Ainda esta autora, refere que, o nome de Cochinchina surge como uma designação atribuída pelos mercantes portugueses da altura, sendo uma terra que, devido à sua localização marítima e vizinhança ao império chinês, distava, tanto temporalmente como espacialmente, de longas jornadas marítimas, atraindo muitos mercadores principalmente os portugueses, japoneses e chineses.

​A primeira referência a terras do atual Vietname feita por um europeu deve-se ao português Tomé Pires e data de 1515. Isto não significa que Tomé Pires tenha efetivamente desembarcado naquela parte do mundo, tal como refere Ribeiro (2016). Teve, isso sim, conhecimento da sua existência e a ela fez referência na sua obra Suma Oriental. Como curiosidade, esta obra contém a primeira descrição europeia do hábito de comer com pauzinhos: 'comem com dois paus, tomam a porcelana com a mão esquerda, e com a mão direita e com a boca e com os paus se servem'.

É interessante referir, de acordo com Martins (2017), quer o «Roteiro» de Francisco Rodrigues, quer a «Suma Oriental» de Tomé Pires confirmam, o relativo desinteresse pela Indochina por parte dos comerciantes portugueses devido a ausência de uma clara vantagem mercantil face a outras regiões, como por exemplo, Malaca e Macau. Ou como enfatiza Silva (2015), no Sudeste Asiático, Portugal não estava interessado em ocupar territórios, pois não dispunha de gente nem de meios suficientes para o fazer. Estava interessado, isso sim, em conquistar apenas as posições geográficas que lhe permitissem controlar as principais rotas comerciais marítimas da região. A tomada da cidade de Malaca, sobretudo, teve uma enorme importância deste ponto de vista, pois esta cidade controlava o único canal navegável que ligava o Mar do Sul da China ao Oceano Índico, que era o Estreito de Malaca.

Contudo, foram portugueses os primeiros europeus a pisar solo vietnamita. Fernão Peres de Andrade, conforme nos alude Martins (2017) terá sido o primeiro a visitar a região em 1516. Duarte Coelho foi dos portugueses que mais vezes circulou junto à costa, tendo sido incumbido por Jorge de Albuquerque, Capitão de Malaca, a explorar a 'enseada' da Cochinchina, onde terá colocado um ou dois padrões e uma inscrição com seu nome na Ilha de Cham (Cu Lao Cham) datada de 1518, segundo informação de Fernão Mendes Pinto. Este descreve a referida costa com detalhe, incluindo dificuldades de navegação, sistema de ventos, correntes, paisagens, comércio e o negócio do sal.

Apesar de tudo, e como refere Silva (2015), houve algum investimento dos portugueses no estudo das rotas marítimas e da cartografia da região – o que permitiu o desenvolvimento do interesse pelas costas do 'Dai Viêt' e o acesso dos primeiros missionários.

O Uso do Português como língua franca
De acordo com Silva (2015), o Mar do Sul da China, no meio do qual se encontra o Vietname, tornou-se, no séc. XVI, um mar "português". Os negócios que se realizavam nos principais portos situados neste mar eram, inclusivamente, feitos em língua portuguesa. Mesmo muitos anos depois de os holandeses terem conquistado as principais posições que os portugueses detinham neste mar, sobretudo Malaca, já no séc. XVII, a língua portuguesa continuou a ser a língua franca comercial falada naquela região do globo.

Ora, depois de Fernão Peres de Andrade, e como refere e bem Ribeiro (2016), vários outros portugueses chegaram ao atual Vietname: uns no desempenho de missões oficiais a mando dos vice-reis da Índia, outros (a grande maioria) como mercadores, outros (sobretudo padres dominicanos e jesuítas) para fazerem a evangelização e outros ainda, por terem naufragado nas suas costas.

O mais famoso náufrago português a pisar solo vietnamita foi Luís Vaz de Camões, que naufragou em frente ao baixo delta do rio Mekong, quando se dirigia de Macau para Goa, e chegou a terra nadando com uma mão, enquanto com a outra mão segurava a obra que estava a escrever, ‘Os Lusíadas’.

Padre Francisco de Pina
O principal vestígio da presença de portugueses no Vietname não é de ordem material, mas sim de ordem cultural: a escrita da língua vietnamita em caracteres latinos, como refere Martins (2017).

Ainda este autor, menciona Francisco de Pina, como natural da Guarda, com estudos realizados no Colégio Jesuíta de Coimbra, em 1605, tendo três anos mais tarde deixado Lisboa a bordo da nau Nossa Senhora do Vencimento com destino ao Japão. Foi ordenado sacerdote, em 1616, já no Oriente, em Malaca, pelo bispo Gonçalo da Silva. No Colégio de Macau ensinou Arte e Teologia. Viveu muitos anos em Cachão, no actual Vietname, onde estudou, formou e evangelizou.

 

Segundo Silva (2015), Francisco de Pina, preocupava-se com a aprendizagem e formação linguística daqueles que iria evangelizar, porque sabia ser necessário possuir os instrumentos fundamentais para facilitar o encontro entre a cultura cochinchinense e a ideologia cristã.

Francisco de Pina trabalhou escrupulosamente para a invenção e desenvolvimento da latinização da língua vietnamita, denominada quốc ngữ ou língua nacional. Apesar do quanto se possa afirmar e, na opinião de Silva (2015), o nascimento da linguagem quôc ngữ é antes de mais, fruto de um encontro histórico entre a língua vietnamita e portuguesa, pois Pina, tinha consciência de que proporcionava, desta forma, um encontro entre dois mundos culturais e duas formas de pensamento diferente, com uma base em comum.

Pina, conforme nos elucida Ribeiro (2016), usou o sistema de anotação gráfica que já se encontrava estabelecido para a língua portuguesa, como referência fonética e gráfica para transcrição da linguagem vietnamita, pois esta era escrita em ideogramas semelhantes aos que são usados na escrita do chinês ou do japonês. Assim, romanizou a língua, através da mudança para caracteres latinos, como os que são usados na escrita do português. Este sistema e metodologia foram seguidos mais tarde por Padre Gaspar do Amaral (1592-1645) e António Barbosa (1590-1647), que terão trabalhado num dicionário, até hoje desconhecido. Alexandre de Rhodes que sendo cronologicamente o último dos três, teve acesso aos trabalhos dos seus predecessores, publicando-os.

Conforme defende Ribeiro (2016), Alexandre de Rhodes, francês, coligiu, harmonizou e completou o trabalho dos seus antecessores, tendo publicado em Roma, em 1651, o dicionário anamita-português-latim, o Dictionarium Annamiticum — Seu Tunkinense cum Lusitana, & Latina declaratione, que foi a primeira obra impressa onde o vietnamita surge escrito em caracteres latinos.

Esta a transcrição linguística, para Francisco de Pina, conforme Silva (2015), era apenas um instrumento útil e eficaz para a nova religião introduzida na Cochinchina porque o cristianismo tinha que aceitar não só o confronto e o diálogo com um sistema cultural já existente, mas deveria aprender a gerir todas as situações que iria criar e construir.

A publicação deste dicionário marca o nascimento do Quốc Ngữ, isto é, da ‘língua nacional’, como a nova transcrição passou a chamar-se. Ribeiro (2016), argumenta que, erradamente, Alexandre de Rhodes foi considerado o ‘pai’ do Quốc Ngữ, obtendo os seus créditos e correspondente reconhecimento, tendo Francisco de Pina e os restantes padres caído no esquecimento. Este esquecimento foi profundamente injusto, pois um padre francês não teria desenvolvido um trabalho de romanização baseada na língua portuguesa, mas sim na língua francesa ou, talvez, na latina, sendo de facto e de indiscutível concordância, que o Quốc Ngữ é baseado na língua portuguesa.

Assim, e conforme Silva (2015), não se pode negar, que o facto de os caracteres chineses usados durante séculos no Vietname terem sido transcritos em alfabeto latino desenvolveu um papel preponderante no desenvolvimento da identidade moderna vietnamita e a posição política económica atual que hoje reveste este país no mundo.

O relacionamento entre o Vietname e Portugal (chamado Bồ Đào Nha em vietnamita) foi sempre pacífico. Nunca os portugueses procuraram conquistar ou colonizar o Vietname ou qualquer dos reinos que o vieram a constituir, contrariamente ao que fizeram a França no séc. XIX e o Japão e os Estados Unidos no séc. XX. 

 

O presente texto foi adaptado tendo como base as seguintes fontes bibliográficas:

_Martins, Guilherme d’Oliveira. 2017. Uma Civilização Antiga. Boletim do Centro Nacional de Cultura no âmbito do Ciclo de Viagens: “Os Portugueses ao encontro da sua história”. 26 de Agosto a 9 de Setembro.

_Ribeiro, Fernando. 2016. 500 anos de relacionamento entre Portugal e o Vietname. Blogue: A Materia do Tempo.

_Silva, Regina Célia de Carvalho Pereira da. 2015. Francesco Buzomi e Francisco de Pina no VietNam do Sul: Fragmentos de um paradigma religioso-cultural imperial. Università degli Studi di Napoli l’Orientale, Itália.

RELAÇÕES BILATERAIS

 

UMA PROGRESSÃO NOTÁVEL

Informação breve e sumária relativa às relações bilaterais de Portugal, incluindo datas do estabelecimento de relações diplomáticas e primeira enviatura

 

Diplomacia

 

 

As relações diplomáticas entre os dois países iniciaram-se a 22 de Maio de 1956, através do reconhecimento de Portugal da República do Vietname do Sul, tendo sido estabelecidas a 1 de Julho de 1975, já como actual República Democrática do Vietname.

A primeira enviatura foi realizada a 23 de fevereiro de 1981, pelo Embaixador residente em Banguecoque, Reino da Tailândia, José Renato Pinto Soares, através de credenciais como não residente em Hanói, capital da República Socialista do Vietname.

A área de jurisdição consular da embaixada em Banguecoque compreende, além da Tailândia e do Vietname, a Malásia, a Birmânia, o Laos e o Cambodja.

 

Para mais informações relativas a assuntos diplomáticos e consulares, visite o site da Embaixada de Portugal na Tailândia aqui.